3 Anos sem fumar

Lembro-me como se fosse hoje, sentado no banco de madeira, após mais uma vitória da equipa de setas de máquina. Tirei-te do aconchego do maço e toquei-te com os meus lábios. A faísca do isqueiro dava o tiro de partida para mais 2 minutos de fumo e “prazer”, porém, seriam os 2 últimos minutos em que partilhamos o mesmo momento.

A adolescência irreverente que me é característica teve em ti um aliado, no bolso das calças, na algibeira da batina ou perdido na bolsa à tiracolo, tu estiveste sempre lá. Até nas noites em que queimaste a garganta eu não fui capaz de te deixar, fazias parte de mim e assim acreditava que seria para sempre.

O adeus foi doloroso, deixou marcas e saudade, ainda hoje sinto a tua falta nos jantares com os amigos, naquela música no Cais da Ribeira ou simplesmente como companhia enquanto vejo o pôr-do-sol sentado na esplanada. Não se apaga uma relação de 13 anos de um dia para o outro, fizeste parte da minha vida e a lembrança que me deixas é a base da minha força para não te querer sentir de novo.

Agora que olho para trás e te vejo no passado, sinto que sou mais feliz sem a tua presença.

Sinto-me com uma energia extra, fisicamente parece que nasci de novo e o controlo mental é agora superior, poderia enumerar uma quantidade insana de aspectos em que a minha qualidade de vida melhorou mas estaria a ser injusto para algo, de que tanto gostei.

Para terminar quero apenas dizer-te um adeus, acreditando que não será um até já.

Filipe Matos Pereira

 

 

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