A vantagem do Big Data, nos clubes da Premier League

Anaálise de dados na premier league

Durante os jogos de futebol da Premier League,  as lentes das câmaras televisivas não são as únicas atentas aos movimentos dos jogadores. Existem umas câmaras ovais colocadas na cobertura dos estádios com capacidades particulares, que analisam mais de 1,2 milhões de acções, durante uma partida de futebol. A informação que é gerada é capaz de traduzir em números a prestação individual de cada jogador e o seu desempenho no contexto da partida de futebol, ao longo dos 90 minutos.

“Após o apito inicial, cada toque na bola é capturado, assim como a posição dos jogadores dentro de campo e os intervenientes de cada jogada”, explica Paul Neilson, analista de desempenho na Prozone Sports, que fornece a tecnologia a todas as 20 equipas da Premier League. Esta informação individual, juntamente com os detalhes de 2000 a 3000 jogadas que acontecem durante os 90 minutos, estão a mudar a forma de recrutar novos jogadores, Neilson afirma que as equipas de futebol estão-se a tornar “mais científicas” na análise e prospecção de novos talentos da modalidade.

A maioria das equipas na Premier League têm 10 anos de informação Prozone e as de maior prestígio estão a fazer coisas interessantes com esses dados. Manchester City, Liverpool e Arsenal são três exemplos de equipas com pessoas especializadas nos seus quadros, para fazer exclusivamente a análise de toda esta informação. O West Ham United, uma equipa de dimensão mais modesta, tem em David Woodfine o seu analista de desempenho, que passa a pente fino todas as acções do jogo (cruzamentos, remates, remates à baliza, ataques, etc) e consegue disponibilizar essa informação devidamente tratada, ao intervalo, para que o treinador possa fazer os ajustes necessários à equipa.

No West Ham United, na preparação de um jogo, trabalha-se com 3 fontes de conhecimento, os apontamentos dos olheiros, os vídeos de jogos anteriores do adversário e a informação devidamente tratada e retirada do sistema Prozone. Como já referimos esta informação é importante na procura de novos talentos, através de indicadores de desempenho como a evolução a nível físico ou a percentagem de passes correctos, são seleccionados os jogadores que os olheiros do clube devem ou não analisar. Esta análise de desempenho é também bastante útil para acompanhar o crescimento dos escalões mais jovens do clube e conseguir mensurar a respectiva evolução.

Da teoria à prática vai uma certa distância e a análise de desempenho só poderá surtir efeito caso os jogadores entendam a importância dos dados no sua performance e trabalhem com o intuito de melhorar os seus pontos fracos. David Woodfine, afirma que os jogadores que estão agora nos escalões jovens do West Ham United já percebem a importância desta análise e estão preparados para receber informação detalhada que vise o seu correcto desenvolvimento, enquanto jogadores de futebol.

Em jeito de comentário final, acredito que a curto prazo veremos a maioria das equipas de futebol europeias a utilizar este tipo de sistema, que é já usual em desportos como o Futebol Americano, no entanto, é necessário estabelecer a fronteira entre o jogador e a tecnologia. O que nos distingue enquanto seres humanos é a capacidade de adaptação a eventos aleatórios, algo que as máquinas ainda não estão preparadas para antecipar.

Fonte

Filipe Matos Pereira

 

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